O estudo dos aspectos físicos e matemáticos do foguete de garrafa pet é de suma importância no âmbito da física e da matemática, permitindo a observação de diversos aspectos relacionados ao movimento, à dinâmica e à sua interação com o meio ambiente. Este projeto desenvolvido pelos alunos da Universidade de Caxias do Sul, Eduardo Dalbem Gianechini e Renan Champe Corrêa, proporciona a chance de compreender conceitos científicos fundamentais, ao mesmo tempo em que demonstra o processo de construção de um foguete de garrafa pet.
Projeto Interdisciplinar: Foguete caseiro de garrafa PET
Aspectos teóricos importantes
Trajetória do foguete, alcance e altura máxima
A trajetória do foguete é descrita por um função de segundo grau com concavidade voltada para baixo, podendo ser entendida como um movimento balístico. Esse movimento é formado a partir da junção do movimento uniforme horizontal, onde a velocidade constante, e pelo movimento uniformemente variado vertical, no qual tem velocidade variada, afetada pela aceleração da gravidade. As velocidades dos respectivos movimentos podem ser representadas por Vx e Vy.
Para determinar o alcance total de um projétil em um movimento balístico, usamos a componente horizontal da velocidade e o tempo total de voo.
Componente horizontal da posição:
x = V * cos(θ) * t
Tempo total de voo:
t = V * sen(θ) / g
O tempo acima refere-se à subida do objeto, logo, o tempo total do movimento será o dobro.
t = 2V * sen(θ) / g
Alcance máximo:
Substituímos o tempo total de voo na equação da posição horizontal
xA = V * cos(θ) * ((2V * sen(θ)) / g)
Onde:
x = Posição horizontal do projétil em um dado instante,
V = Velocidade,
t = Tempo,
g = Aceleração da gravidade,
xA = Alcance máximo.
Para determinar a altura máxima alcançada por um projétil em um movimento balístico, utilizamos a componente vertical da velocidade e a equação de Torricelli.
Componente vertical da posição:
y = V * sen(θ) * t - 1/2 * g * t²
Equação de Torricelli:
Vy² = Voy² - 2 * g * H
Altura máxima:
Na altura máxima, a velocidade do móvel será nula
0 = Voy² - 2 * g * H
- Voy² = - 2 * g * H
H = - Voy² / - 2 * g
Onde:
y = Posição vertical do projétil em um dado instante,
V = Velocidade,
g = Aceleração da gravidade,
t = Tempo,
Voy = Velocidade inicial,
H = Altura Máxima.
Propulsão dos foguetes
Os foguetes funcionam de acordo com os princípios da terceira lei de Newton, que afirma que "para cada ação, há uma reação igual e oposta". Isso significa que os foguetes podem se mover no espaço sem a necessidade de ar ou qualquer outro meio externo para empurrá-los, pois eles carregam seu próprio propelente e podem expeli-lo para gerar impulso.
Aerodinâmica
A aerodinâmica desempenha um papel crucial no lançamento do foguete. Um design aerodinâmico garante uma trajetória estável durante o voo, reduzindo oscilações e desvios indesejados, além disso, boas noções de aerodinâmica auxiliam na redução da resistência do ar, permitindo que o foguete alcance maiores velocidades e percorra longas distâncias, de forma segura e eficiente.
O controle e a estabilidade são alcançados através do design cuidadoso das aletas, que ajudam a melhorar o controle da trajetória do foguete e a garantir estabilidade aerodinâmica. O posicionamento adequado do centro de gravidade em relação ao centro de pressão, em conjunto com a simetria e o equilíbrio do foguete, são essenciais para evitar oscilações e garantir um voo suave.
Protótipos do projeto
Após os alunos realizarem pesquisas e observarem diferentes modelos na internet, foram estabelecidos pelos mesmos uma série de materiais necessários para a construção do foguete e um protótipo 3D para por em prática as ideias elaboradas.
Materiais necessários
Protótipo da base
Feita com canos de PVC, a base será utilizada para estabilizar o foguete durante o lançamento.
Protótipo do foguete
Feito com garrafa pet, e projetado com um design aerodinâmico, o foguete será cheio com água até cerca de um terço ou metade de sua capacidade, após isso, a garrafa será pressurizada com ar comprimido, submetendo a água à uma alta pressão e fazendo com que o foguete seja impulsionado ao liberar a garrafa.
Protótipos em conjunto
Construção do foguete
Iniciamos a construção dos modelos, tendo como base os protótipos 3D mostrados na última postagem. Começamos pela construção da base de lançamento, em primeiro lugar, começamos reunindo os materiais necessários para a montagem da estrutura da base, materiais esses que são em PVC. Aproveitamos, e lixamos todas as peças, para garantir uma maior aderência ao juntar as peças.
Com o sistema de travamento pronto, pegamos um pedaço de 5 centímetros de cano de PVC branco, lixamos, fizemos dois furos, e amarramos com um barbante, tendo como função puxar a trava de lançamento. Após todas essas etapas, finalizamos a construção da base de lançamento.
Para fazer a parte superior do foguete, enchemos um bexiga com água, e a prendemos na tampa da garrafa, sendo importante para que o centro de massa do foguete fique deslocado pra frente, finalizamos cortando a sobra da bexiga com uma tesoura.
Conclusão
Após a realização dos lançamentos do foguete em ângulos de 45 e 85 graus, foi possível obter dados significativos que nos permitiram avaliar o desempenho e a trajetória do projeto, observamos que o ângulo de 45 graus resultou em uma trajetória mais equilibrada e uma maior distância percorrida horizontalmente. Por outro lado, o lançamento a 85 graus demonstrou uma maior altura máxima alcançada pelo foguete, evidenciando a influência direta do ângulo na trajetória vertical. A análise dos dados coletados durante os testes nos permitiu identificar a importância da escolha adequada do ângulo de lançamento para otimizar tanto a distância percorrida quanto a altura atingida pelo foguete. Os lançamentos realizados a 45 e 85 graus proporcionaram uma visão abrangente do desempenho do nosso foguete, fornecendo informações para aprimorar nosso entendimento sobre o lançamento de projéteis.




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